dezembro 18, 2010

"Poética" - Metalinguagem


*Imagem: René Magritte

- "Escrevo como quem transa, escrevo como quem morre."

Por que escrever?
Todas as vezes que termino um texto sem fundo vestibularesco faço-me essa pergunta. Os 'verdadeiros intelectuais' diriam que isso é trabalho pra 'quem tem o que dizer','quem sabe o que faz'. Confeço que acho isso completamente hipócrita. Eu não sei fazer nada! Mal consigo me manter em pé durante o dia, acho que esse negócio de ser dipede não foi feito pra mim.
Tornar toda a imperfeição, todo o caos que me contorna, palavras. É uma necessidade que brota. Efemera. Muitas vezes um texto surge: no meio da rua; em meio aos carros; com o cheiro do cigarro de um amigo; a fumaça. Tudo... O texto surge.
Uso um português ralé. Não sei lidar com próclises, mesóclises e ênclises. Convenhamos depois do Mario de Andrade "tudo" é permitido, sem 'moralismo artístico'. Falo como alguém da periferia, afinal, não posso negar minhas origens, 'tá ligado, mano'.
Mas apesar de tudo, eu não sei se conseguirei parar de traduzir o que sinto, o que o mundo, as pessoas, as sensações fazem de mim, Eu...
"Escrevo como quem transa, escrevo como quem morre." (Mardon mello)
Porque este sou eu: mutável, fugaz, mortal, quem chora, quem ri. Escrevo porque tenho necessidade de não morrer com isso trancado em meu peito; escrevo porque transo com as palavras.

Palavras, obrigado por existirem.

- MatosGabriel

dezembro 04, 2010

O pierrot ou pierrô: É uma personagem tipo de mimo e da Commedia dell'Arte, uma variação Francesa do Pedrolino Italiano. O seu caráter é aquele de um palhaço triste, apaixonado pela Colombina, que inevitavelmente lhe parte o coração e o deixa pelo Arlequim.

Pierrô Apaixonado
Noel Rosa

Composição: Noel Rosa / Heitor dos Prazeres

Um pierrô apaixonado
Que vivia só cantando
Por causa de uma colombina
Acabou chorando, acabou chorando

A colombina entrou num butiquim
Bebeu, bebeu, saiu assim, assim

Dizendo: pierrô cacete
Vai tomar sorvete com o arlequim

Um grande amor tem sempre um triste fim
Com o pierrô aconteceu assim
Levando esse grande chute
Foi tomar vermute com amendoim

Pierrot
Los Hermanos

Composição: Marcelo Camelo

O pierrot apaixonado chora pelo amor da colombina
E a sua sina chorar a ilusão em vão, em vão

E a colombina só quer um amor
Que não encontra num braço qualquer
Essa menina não quer mais saber de mal-me-quer
Só do pierrot, pierrot
Pierrot, pierrot, pierrot, pierrot... (3×)

O pierrot apaixonado chora pelo amor da colombina
E na esquina se mata a beber pra esquecer, pra esquecer

E o pierrot só queria amar
E dar um basta a esta dor já sem fim
Mas colombina trocou seu amor por arlequim
E o pierrot, chora!
E o pierrot, chora!
E o pierrot, chora!
Pierrot...

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É incrivel como a imagem do amor no início do século XX era muito menos sacralizada. Noel, brinca, satiriza a história de amor, tornando-a cotidiana, palpável. Em contra partida, Marcelo Camelo, mistifica, coloca o amor nun pedestal. Seria mesmo necessário chorar? Ou é melhor sentar e comer amendoím?
Essas "dores" ainda latentes, com sua origem no últraromantismo byronista, mostram porque temos tantas pessoas coloridas pelas ruas. Não importa, elas falam sobre seu tempo. Não que eu goste. Prefiro sentar com minha cerveja e um amendoím, a satira do trágico torna a vida muito mais sublime.

Obs.: Gosto muito de Los Hermanos, é só uma constatação sobre o momento vivemos.

outubro 14, 2010

Um pouco de poesia, porque sem arte não há vida.



Em cubos
(Gabriel Matos)
Do primeiro verme que roeu tua carne.

Desde as memórias romanescas
À prole não deixada,
Inebriado de aventura, destituído de desamores.
Vivenciando a nossa loucura,
Morrendo na clausura.
Ao fim de uma vida tão farta
De tudo não achou a cura,
Pobre, louco e gênio; das causas sem fundamento,
Morreu um mito largado no esquecimento.

-MatosGabriel

setembro 05, 2010

Fé.




Versículo do salmo nº 37do livro dos Salmos da Bíblia.
Salmo de David:
“Entrego o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e ele tudo fará.”
Fiódor Dostoiévski
“Se Deus não existisse, tudo estaria perdido”
No momento, tudo está perdido.
Há momentos em que queria ter fé, seria muito mais prazeroso. A existência teria muito mais sentido, eu acordaria sorrindo, cada momento valeria à pena; no entanto, o pessimismo entra no âmago do meu ser, e, com isso, vejo-me sozinho, sendo filho do carbono e do amoníaco. Minha mãe sempre disse: “Filho, é preciso ter fé em alguma coisa.” Se eu ouvisse tudo que ela diz...
Lendo Vinícius temos a esperança de encontrar a fé no amor:
Ausência
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
Lendo Nietzsche, encontra-se na arte uma explicação para a vida e uma maneira de suavizar nossa ‘passagem’.
Porém, foram todas escolhas que eles fizeram, foi a fé que eles encontraram, e para nós só resta ler, compreender, e tentar, de alguma forma, melhorar o cotidiano, pois, a partir da morte do criador, somos culpados por tudo aquilo que fazemos, cativamos e escolhemos.
Cada um com sua resposta. A ignorância é uma benção.

agosto 05, 2010

A Banalização do Amor

Ao entrarmos em sites de redes sociais (Orkut, facebook, twitter, e afins) encontramos uma vitrine de opções de pessoas que podemos nos relacionar, basta clicar no rosto que mais nos agrada na tela e dizer/digitar, “Oi”, para que uma nova possibilidade de afeto surja. Com isso, depois de algum tempo de conversação – o tempo do ser digital é bem mais rápido que o biológico – e, provavelmente, depois de algumas mentiras sobre a vida pessoal, aparência e perspectiva de vida, surge o AMOR DIGITAL.
Ele penetra, principalmente, em ‘corações’ de jovens que vêem suas vidas baseadas em fatores ‘internetísticos’ do que no convívio pessoal (fato cada vez mais crescente), e também da necessidade de atenção, da esperança no príncipe encantado ou da princesa encantada, que eles, e muitas vezes os adultos e idosos, encontram no “lócus amoenus” da rede.
Hoje, há a necessidade de seguir o protótipo social, que o mercado de consumo e a mídia nos impõe, por isso, o jovem, não encontrando um modo de se expressar como humano, leva para o seu profile virtual todas as suas angústias e verdades, se desumanizando, para fazer da sua existência seja mais humana. E assim, no computador, criam alegorias de si e do outro, e também do amor perfeito; em um lugar em que eles podem ser o que quiserem, com a esperança de que os problemas dos relacionamentos mundo sensível se dissipe no digital, porque, afinal, está fora de moda ser humano.

julho 08, 2010

O futuro é agora.

O Desejo de consumo nos aterroriza! Já pensou em ficar sem comprar? Não poder mais ter algo que ‘ninguém’ - na verdade, o que todo mundo - tem.
O consumismo que abala a sociedade pós-segunda revolução industrial, nos deixa cada vez mais surpreso por suas proporções, e com sua expansão por todo o globo. O homem contemporâneo parece que perdeu as esperanças no futuro, o abalado trazido pelo niilismo existencialista mostrou o verdadeiro caminho que estamos seguindo: o cominho do caos; e fez com que nós buscássemos no consumo uma maneira de escapar da realidade.
No entanto, essa forma de fuga, só faz com que as coisas piorem, pois, isso só faz com que as Moiras (vide Hercules) tracem cada vez mais rápido o nosso destino; tendo como conseqüência uma deterioração do meio ambiente, da ética, da consciência humana e nossa máxima culpa no destino que pregamos para nossa espécie.
E assim, nos vemos a beira do abismo existencial.
Eu Compro, eu Existo?
Nossa sociedade de consumo não prevalece apenas em termos econômicos, hoje, vemos a deterioração de todas as culturas numa só, em que os EUA (tentarei não os citar muito, pois esse discurso já está manjado) são a nação que mais predomina nessa dominação cultural sobre as outras, fazendo com que o mundo siga todo o ‘american way of life’ do século XXI, e com isso, toda a diversidade cultural vai se perdendo e se tornando apenas mais um elemento do mercado capitalista.
No Brasil, ao ligar o rádio, às vezes por horas, não vemos músicas de nossa própria língua, e mesmo na maioria das vezes não entendendo sua mensagem – se é que ela existe–, nos vemos embromando um inglês medíocre para tentar imitar o ‘gringo’, e como conseqüência, nossa cultura vai enfraquecendo cada vez mais, junto com nossa própria maneira de ver o mundo.
Muitos dizem que nossa nação não tem cultura, eu discordo, o Brasil é mais do que o país da bunda e do futebol, embora a grande maioria seja dominada pelo extrageirismo cultural, há uma grande massa que luta para fazer desse país a nação que realmente deveria ser exposta para todo o mundo, como fez Chico Science junto com a banda Nação Zumbi, embora o precursor do mangue beach tenha morrido, sua luta pela preservação da cultura pernambucana e brasileira é um exemplo de nacionalismo.
Hoje o mundo e também nós brasileiros precisamos rever nossos conceitos sobre certo e errado, e ao invés de fugirmos das discussões sobre o que é realmente substancial, encararmos o mundo, a falta de Deus, e toda a responsabilidade que a liberdade tem a nos oferecer.

P.S.: Poderia escrever mais, e ser mais especifico, mas ficaria cansativo, e eu gostei assim. :D

- MatosGabriel

junho 28, 2010

De volta e com ânimo renovado.

FUTEBOL ELEITORAL.

Em época de copa do mundo, o esporte mais aclamado pelo povo brasileiro faz com que o país pare. Do comércio à indústria; do jornaleiro ao taxista; do pobre ao burguês. Tudo o que se fala é Futebol: o gol de tal jogador, o juiz ladrão, a vitória ou derrota desta seleção, o jogador contundido daquela, e mais um sem fim de comentários. Todo esse sentimento ufanista pela seleção canarinho, que desfila pelos gramados mostrando todo o ‘jeitinho brasileiro’ de ser para o mundo; não é também compartilhado para com o destino socioeconômico dessa mesma ‘Pátria Idolatrada’.

Todo ano de eleição, para os mais importantes cargos nacionais, também é ano de copa – culpa do destino ou do acaso? -. Desta maneira, enquanto os partidos políticos arquitetam as várias maneiras de persuadir o eleitorado, as pessoas vivem a época mais alienada de suas vidas. Com isso o povo só vai lembrar que tem que escolher alguém para... Ah, lembrei... Decidir o rumo da ‘Pátria tão amada’, e, portanto, decidirem o próprio futuro, às vésperas do primeiro de outubro.

Muitos anos de ditadura militar se passaram, tempos em que a cultura do ‘pão e circo’ funcionou mundo bem, o Brasil ganhava a copa de 70 - “UHU. Somos tri”, enquanto pessoas eram “convidadas” há passar alguns dias fora: dar um ‘role’ com os ‘poliça’; e nunca mais voltaram. E por quê? Pelo direito a escolha de um comandante da nação? Pelo Voto? Pela liberdade de expressão? PRA QUÊ! O brasileiro não gosta disso. E os novos tempos comprovam isso.

Presidenciáveis começam a mostrar suas caras por toda a mídia nacional, porém, nesse ano em especial, temos uma situação singular; não há reeleição, com isso, a massa se sente insegura: - Meu querido Lula já não pode ser eleito. O futuro pai dos pobres contemporâneo, para a mídia nacional, e consequentemente para o povo, vai deixar o poder. Mas ele, o então presidente sempre teve um lema de campanha, desde o tempo em que até mesmo o ‘Silvio Santos’ era candidato à presidência; ele modificou-se, mas os tempos mudam e as promessas de campanha também. Entretanto, seu sistema ‘assistencialista’ de governo foi mantido, e podemos dizer que sua meta foi cumprida.

Hoje, pouco se fala de campanha, e muito se fala da ética pessoal dos candidatos. Eu, sinceramente, preferiria as velhas promessas de campanha, pelo menos tínhamos o que cobrar dos candidatos. Com isso, agora, só nos resta escolher entre: a velha guerrilheira, militante de esquerda e mal encarada, Dilma; o genérico, careca, traidor da educação pública paulista (isso só citando a educação), José Serra; e a seringueira, magra, e pouco falada, Marina Silva. Ao invés de escolhermos um plano de medidas que poderiam vir a melhorar o país do futebol.

- MatosGabriel