
*Imagem: René Magritte
- "Escrevo como quem transa, escrevo como quem morre."
Por que escrever?
Todas as vezes que termino um texto sem fundo vestibularesco faço-me essa pergunta. Os 'verdadeiros intelectuais' diriam que isso é trabalho pra 'quem tem o que dizer','quem sabe o que faz'. Confeço que acho isso completamente hipócrita. Eu não sei fazer nada! Mal consigo me manter em pé durante o dia, acho que esse negócio de ser dipede não foi feito pra mim.
Tornar toda a imperfeição, todo o caos que me contorna, palavras. É uma necessidade que brota. Efemera. Muitas vezes um texto surge: no meio da rua; em meio aos carros; com o cheiro do cigarro de um amigo; a fumaça. Tudo... O texto surge.
Uso um português ralé. Não sei lidar com próclises, mesóclises e ênclises. Convenhamos depois do Mario de Andrade "tudo" é permitido, sem 'moralismo artístico'. Falo como alguém da periferia, afinal, não posso negar minhas origens, 'tá ligado, mano'.
Mas apesar de tudo, eu não sei se conseguirei parar de traduzir o que sinto, o que o mundo, as pessoas, as sensações fazem de mim, Eu...
"Escrevo como quem transa, escrevo como quem morre." (Mardon mello)
Porque este sou eu: mutável, fugaz, mortal, quem chora, quem ri. Escrevo porque tenho necessidade de não morrer com isso trancado em meu peito; escrevo porque transo com as palavras.
Palavras, obrigado por existirem.
- MatosGabriel
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