Degas
A vida se resume a ação. Seja ela passada, presente ou futura. O que se define como memória nada mais é do que um conjunto de ações que moldaram a formação psicológica do indivíduo, composto ou molécula (sim isso também funciona em uma análise micro, porém não podemos chamá-la 'formação psicológica'). O que se chama de destino é a soma da probabilidade de ações de tudo que existe, colocadas dentro de uma análise combinatória geral e um quadro energia potencial que cada um deles têm para gerar uma ação.
Parece simples, não?
Não existe porquê ou finalidade. Isso é meramente uma ilusão criada para deixar nossa existência um pouco menos banal (vide Além do Bem e do Mal - Nietzsche, e O Ser e o Nada - Sartre). Afinal, banalidade não é uma característica louvável. No entanto, o mais brilhante de tudo, é encontrar algo 'bom' dentro do nada que é sobreviver. A vida só precisa ser vivida, não há certo ou errado. Se livrar disso é se livrar da culpa de estar vivo e, assim, poder ser livre para viver (se é que captou-se a redundância) e apreciar a dor e a alegria de cada uma de nossas ações, pois só isso "existe".
*Protoself - Conjunto de sentidos construídas pelo sistema nervoso que leva a formação da experiência.
Um blog para espíritos livres.
junho 08, 2012
A Importância do Protoself
Degas
A vida se resume a ação. Seja ela passada, presente ou futura. O que se define como memória nada mais é do que um conjunto de ações que moldaram a formação psicológica do indivíduo, composto ou molécula (sim isso também funciona em uma análise micro, porém não podemos chamá-la 'formação psicológica'). O que se chama de destino é a soma da probabilidade de ações de tudo que existe, colocadas dentro de uma análise combinatória geral e um quadro energia potencial que cada um deles têm para gerar uma ação.
Parece simples, não?
Não existe porquê ou finalidade. Isso é meramente uma ilusão criada para deixar nossa existência um pouco menos banal (vide Além do Bem e do Mal - Nietzsche, e O Ser e o Nada - Sartre). Afinal, banalidade não é uma característica louvável. No entanto, o mais brilhante de tudo, é encontrar algo 'bom' dentro do nada que é sobreviver. A vida só precisa ser vivida, não há certo ou errado. Se livrar disso é se livrar da culpa de estar vivo e, assim, poder ser livre para viver (se é que captou-se a redundância) e apreciar a dor e a alegria de cada uma de nossas ações, pois só isso "existe".
*Protoself - Conjunto de sentidos construídas pelo sistema nervoso que leva a formação da experiência.
fevereiro 18, 2012
Um pouco de tedio, nojo e odio.
http://www.youtube.com/watch?feature=endscreen&NR=1&v=WPkCbIa1hmg
Isso Então
é o mesmo que antes
ou que da outra vez
ou da vez anterior à essa.
eis um pau
e eis uma boceta
e eis um problema.
a cada vez
você pensa
bem eu aprendi desta vez:
vou dizer a ela que faça isso
e eu farei isto,
já não quero a coisa toda,
só um pouco de conforto
e um pouco de sexo
e apenas um mínimo de
amor.
agora novamente espero
e os anos vão escasseando.
tenho meu rádio
e as paredes da cozinha
são amarelas.
sigo esvaziando as garrafas
à espera
dos passos.
espero que a morte reserve
menos do que isto.
Charles Bukowski
Isso Então
é o mesmo que antes
ou que da outra vez
ou da vez anterior à essa.
eis um pau
e eis uma boceta
e eis um problema.
a cada vez
você pensa
bem eu aprendi desta vez:
vou dizer a ela que faça isso
e eu farei isto,
já não quero a coisa toda,
só um pouco de conforto
e um pouco de sexo
e apenas um mínimo de
amor.
agora novamente espero
e os anos vão escasseando.
tenho meu rádio
e as paredes da cozinha
são amarelas.
sigo esvaziando as garrafas
à espera
dos passos.
espero que a morte reserve
menos do que isto.
Charles Bukowski
outubro 02, 2011
DEVIR

"O devir é a lei do mundo. Os fenômenos se repetem, é verdade, mas não se repete o mesmo fenômeno, o rio de hoje, não é o mesmo do rio de amanhã..."
Acredito, mas não aceito.
Traz-me mal estar... Corrói, chega a doer. De alguma forma, dói.
Esses uns 13/14 meses me mostraram realmente o que é o devir.
Mudou, muda e mudará.
Nessas horas eu concordo com Nietzsche, no texto: "crepúsculo dos ídolos" ele diz que não estávamos prontos para aceitar a idéia de devir. Eu não estou, você está?
E uma hora acaba, e todos seremos. Um começo, meio e fim...
agosto 03, 2011
Os laços humanos no mundo digital.

Imagem: foto de duas esculturas do meu querido amigo Flávio Cerqueira.
Nina
(Chico Buarque)
Nina diz que tem a pele cor de neve
E dois olhos negros como o breu
Nina diz que, embora nova
Por amores já chorou que nem viúva
Mas acabou, esqueceu
Nina adora viajar, mas não se atreve
Num país distante como o meu
Nina diz que fez meu mapa
E no céu o meu destino rapta
O seu
Nina diz que se quiser eu posso ver na tela
A cidade, o bairro, a chaminé da casa dela
Posso imaginar por dentro a casa
A roupa que ela usa, as mechas, a tiara
Posso até adivinhar a cara que ela faz
Quando me escreve
Nina anseia por me conhecer em breve
Me levar para a noite de moscou
Sempre que esta valsa toca
Fecho os olhos, bebo alguma vodca
E vou...
No livro "amor líquido", o sociólogo polonês Zygmunt Bauman relata os novos tipos de relações sociais no mundo pós-moderno, e como o amor é, hoje em dia, compreendido. Para Bauman as relações se demonstram líquidas, livre de qualquer tipo de solidez, ou seja, não conseguimos estabelecer laços fortes com os seres da nossa espécie. Vivemos numa época em que, como já disse no texto "a banalização do amor" (http://matosgabriel.blogspot.com/2010/08/banalizacao-do-amor.html), as redes sociais digitais nos dão a possibilidade de conhecer pessoas novas a qualquer momento. Assim, como sabemos, "é da possibilidade que advém o sofrimento", não há tempo necessário para que as relações sejam devidamente solidificadas, pois tudo é muito rápido, desde o ‘conhecer ‘até o ‘amar’.
Não obstante, Nina (música do novo CD de Chico Buarque) relata um amor a distância, 'seu' amor por uma russa, exemplificando a teoria do sociólogo polonês. Embora a exata liquidez não esteja devidamente mostrada, percebe-se que o ser pós-moderno mostrado por Chico sente falta do contato humano, sabemos que a falta do ente amado é sempre motivo de sofrimento, porém, o sujeito que inicia relacionamentos em longa distancia digitalmente sofre, mesmo sem ao menos ter tido o toque. Portanto, ele deseja apenas a idéia do sujeito ‘amado’.
"Nina adora de viajar, mas não se aventura num país distante como o meu". Parece que a solução para este problema é o continuo encurtamento de distância e fronteiras. Mas a liquidez continuará, será que a solução para este último é a eliminação das possibilidades? Nessa nova etapa de compreensão do mundo, a aceitação de que nos são dadas as inúmeras possibilidades e que o tempo passa muito rápido – ele nunca foi tão precioso – seria a forma de aliviarmos o sofrimento inerente a tudo que vivemos. Alguns dizem que somente o além do homem nietzscheano seria capaz de superar tal adversidade pós-moderna, será?
MatosGabriel
julho 03, 2011
Um pouco de poesia, pois sem arte não há vida.

Claude Monet
Outono
(Gabriel E. M. Rodrigues)
Esse é o vento e talvez o tempo
Que se esvai,
Já não pinto o sete,
Pois ainda faltam nove pra você voltar.
Deixei minha alma escarlate
Pra quando voltar o tempo
Ou o vento chegar,
Você me ver a te esperar.
A alegria se refaz,
A monotonia se desfaz,
Os corações se abrem
Para alguém que sempre vai voltar.
- MatosGabriel
junho 13, 2011
Intersecção entre Bergman, Baudelaire e Goethe.

TODA ELA
O Demônio em meu quarto salta
Esta manhã para me ver
E, tentando apanhar-me em falta,
Diz-me: "Eu só queria saber,
Entre todas as coisas raras
De que é pródigo seu feitiço,
Entre as jóias negras ou claras
Que ao corpo lhe dão tanto viço,
Qual a mais sublime."- ó minha alma!
Respondeste ao Tinhoso então:
"Porque Ela é um bálsamo que acalma,
Não pode haver predileção.
E como tudo me extasia,
Não sei se nela algo me enfara.
Ela deslumbra como o Dia
E como a Noite nos ampara.
Seu corpo esplêndido é regido
Por harmonias tão concordes
Que nunca pôde o humano ouvido
Escolher um dentre os acordes.
Ó mística transmutação
Que os sentidos num só resume!
Seu hálito faz a canção
E sua voz faz o perfume!"
Charles Baudelaire
Uma constatação: se Fausto respondesse assim aos intentos de Mefistófeles a humanidade estaria muito mais feliz.
P.S.: essa intertextualidade que surge sem eu menos esperar é fantástica.
abril 16, 2011
Momentaneo

“Há um prazer nas florestas desconhecidas: Um entusiasmo na costa solitária: Uma sociedade onde ninguém penetra. Pelo mar profundo e música em seu rugir..."
Lord Byron
Existe um lugar onde o tempo pára. Nele eu sempre estarei novamente protegido do mundo.
Esse lugar é a casa dos meus pais, soa muito estranho não chamá-la de 'minha casa', mas não é. Contudo, há a necessidade, momentânea, espero, dele existir, pois somente lá eu posso deitar tranquilamente, apreciar o vazio, sentir-me forte de de novo. Porém, isto se torna paradoxal, o mesmo fator que me faz amar viver 'sozinho' é o que me faz voltar. Estar protegido é necessário, mas há o momento certo para isso.
Tenho escrito pouco e muito sobre mim, isso é ruim. A sistematização biológica toma conta dos meus momentos de reflexão. É preciso ter uma homeostase com relação a todas as vertentes do conhecimento que me fazem bem, ficar sem escrever e tirar conclusões sobre aquilo que me cerca não me deixa feliz.
Muito autobiográfico, provavelmente será apagado em um momento mais oportuno.
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