Quando iria começar a escrever, veio o chamado. Meu sobrinho começara a chorar, teve um pesadelo enquanto tirava a soneca do fim da tarde: pediu um abraço e começou a chupar o dedo enquanto começava a dormir no meu colo. Fê-lo em poucos minutos.
Nos últimos dias, convivendo com ele, percebi que passamos a vida toda tentando dizer 'não' pra todos que nos rodeiam. Quando crianças, tentamos, através da nossa 'teimosia' e 'mimo', não concordar com o que nos é imposto; contudo, não temos capacidade intelectual necessária para convencermos (mal conseguimos falar) os 'adultos' o porquê do 'não'.
Com o passar do tempo vamos adquirindo informações, recolhendo tudo que o mundo nos expõe, para, com o passar do tempo, termos explicações para as nossas, ainda prematuras, opiniões. Embora isso dependa da liberdade dada pelos pais e vários outros fatores exógenos, o estudo e uma maior compreensão filosofia/intelectual, através de muitas horas com a cara nos livros, nos dá muito mais facilidade para dizer "não", pois é a partir daí que conseguimos encontrar os argumentos necessários para isto.
Por fim, no átimo em que nos damos conta de que podemos dizer não e temos as condições de refutarmos os contra-argumentos, vemos o grande caminho que passamos para chegarmos nesse momento. Hoje, eu estou feliz e triste ao mesmo tempo. Em menos de um mês irei morar sozinho, com isso, vi que, daqui pra frente, não vou ouvir mais os mesmos 'nãos'. A partir de agora, sou eu e os perigos do mundo, e não vai haver nenhuma palmadas após uma ação errada. As consequências serão menos amorosas.
A carga de responsabilidade que nos é atribuída está diretamente ligada ao quão bem você consegue refutar o 'não' de alguém que te ama, e você sabe que ela está errada.
“o importante na vida não é necessariamente ser forte, mas sentir-se forte"
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