
Imagem: Edvard Munch
Pedaço de Mim
Composição: Chico Buarque
Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus
Chega de Saudade
Composição: Vinícius de Moraes
Vai minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer
Chega de saudade
A realidade é que sem ela
Não há paz não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim
Não sai de mim
Não sai
Mas, se ela voltar
Se ela voltar que coisa linda!
Que coisa louca!
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos
Que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços, os abraços
Hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim,
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio
De você viver sem mim
Não quero mais esse negócio
De você longe de mim
Vamos deixar esse negócio
De você viver sem mim
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A vida nos trás inumeros 'tchaus', 'adeuses', 'até logo'... Abraços de partida, aqueles momentos que nos deixam com o coração apertado, de alma vizia. Mas não é só isso, também existem os instantes em que a lembrança, a falta do toque, o cheiro ainda vivo daquele afago que já não há, e, igualmente, não haverá.
Sentir é viver, emocionarmo-nos, chorarmos, alegrarmo-nos. Deixar de lado por alguns instanstes a razão e apenas... olhar o mar, as estrelas, lembrar do toque, do sorriso, o sorriso...
Nesses momentos todos os nossos sentidos (olfato, paladar, tato...) tornam-se mais aguçados, nos teletransportamos para momentos que parecem não ter fim. Como se pudessemos vivê-los eternamente.
Penso na morte como um estado de nostalgia sem fim. Com o cérebro já 'desligado', não haverão mais sinapses, estaremos biologicamente mortos; contudo, ainda haverá algo; porém não mais 'nós'. Seremos saudades sem fim em outros neurônios, novas sinápses, outros caminhos. As imágens de 'nós' presentes no 'outro'. Sendo assim, enquanto houver um outro pra sentir a nossa presença, mesmo que efêmera, ainda estaremos vivos. Mesmo que numa história passada de geração em geração. Por que, afinal, somos apenas saudade.
- Normalmente prefero refletir sobre esses assuntos em verso; no entanto, ao lembrar das duas obras de arte supra citadas não tive essa coragem, pois não conseguiria utilizar as metaforas tão bem exploradas por Chico Buarque, nem teria destreteza de Vinícius. Apenas sintetizei em algumas palavras oquê significa 'saudade' pra mim.
Tenho saudade de tudo, até dos momentos de raiva. Eles não vão voltar. Nada que eu queira mudar, apenas quero senti-los pra sempre.
- MatosGabriel
É muito bonito.
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